Envolto na suspeição


Não mata, mas mói. E que moído está o nosso Primeiro-ministro. Num único mandato, Sócrates já viu o seu nome untado de casos polémicos cinco vezes. Na saca leva já os projectos de Castelo Branco, o caso Cova da Beira, Independente, Freeport e agora o caso “Face Oculta”. As escutas telefónicas entre o PM e Armando Vara são a nódoa mais fresca que caiu num pano que custa, cada vez mais, a limpar.

Com o arquivo do processo na Inglaterra, José Sócrates caminha para a saída do Freeport com uma conta muito alta que cobra credibilidade a alguém que a deveria ter para dar e vender. Sem tempo de degustar uma, já está metido noutra. A maioria absoluta já se foi e o que resta é um governo que se vai desgastando com um PM constantemente envolto na suspeição.

A verdade é que temos de tomar José Sócrates como inocente. Costuma-se dizer “onde há fumo, há fogo”. Até agora, a fiar pela justiça, o ditado não se aplica a Sócrates. O problema é que começa a existir muita fumaça à volta do PM que vai contraindo, caso a caso, uma credibilidade estéril. O sentimento de que a justiça portuguesa não é para os bem sentados - sentimento que já está entranhado neste país -, envolve agora, inevitavelmente, o PM.

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