
«Não nos iríamos meter numa aventura se não tivéssemos expectativas de vir a ganhar». As palavras são de Gilberto Madail, presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), no dia da apresentação da candidatura ibérica ao Mundial de 2018 ou 2022. Porto e Lisboa vão ser as cidades portuguesas anfitriãs, Braga e Faro estão ainda sujeitas a uma ponderação.
“Aventura”, não deslumbro palavra mais propícia para adjectivar a fantasiosa ponderação de aumentar os estádios do Algarve e de Braga. A ponderação de Madail não é solteira. O devaneio tem perna longa e já se alastrou às Câmaras de Faro e Coimbra que reclamam a passagem do mundial, também nestas cidades.
O alardeio é reincidente. Nem os miminhos de Joseph Blatter, presidente da FIFA, que elogia a forma como Portugal organizou o Euro 2004, fazem esquecer o investimento megalómano em estádios que hoje são tão ocos. Tudo em nome de um pavonear nacional. Madail diz que terá de se “ver se vale a pena” aumentar o estádio do Algarve de 29 mil pessoas para 42 mil. Proponho um exercício diferente ao presidente da FPF. Em vez de ver se vale a pena aumentar o estádio, sugeria que pensasse se valeu a pena construi-lo. O estádio passa maioria do seu tempo cheio, cheio de cadeiras vazias. É serventia do Sporting Clube Farense, da terceira divisão, e é pau para muitas obras como concertos e ralis. Mesmo assim, não chega para pôr cobro ao prejuízo diário de cinco mil euros.
A tolice é tipicamente portuguesa, levantar da mesa sem pagar a conta. As dívidas do Euro 2004 ainda não estão saldadas e já se ponderam contrair outras. É como comprar um carro novo sem pagar o velho.

