Envolto na suspeição

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Não mata, mas mói. E que moído está o nosso Primeiro-ministro. Num único mandato, Sócrates já viu o seu nome untado de casos polémicos cinco vezes. Na saca leva já os projectos de Castelo Branco, o caso Cova da Beira, Independente, Freeport e agora o caso “Face Oculta”. As escutas telefónicas entre o PM e Armando Vara são a nódoa mais fresca que caiu num pano que custa, cada vez mais, a limpar.

Com o arquivo do processo na Inglaterra, José Sócrates caminha para a saída do Freeport com uma conta muito alta que cobra credibilidade a alguém que a deveria ter para dar e vender. Sem tempo de degustar uma, já está metido noutra. A maioria absoluta já se foi e o que resta é um governo que se vai desgastando com um PM constantemente envolto na suspeição.

A verdade é que temos de tomar José Sócrates como inocente. Costuma-se dizer “onde há fumo, há fogo”. Até agora, a fiar pela justiça, o ditado não se aplica a Sócrates. O problema é que começa a existir muita fumaça à volta do PM que vai contraindo, caso a caso, uma credibilidade estéril. O sentimento de que a justiça portuguesa não é para os bem sentados - sentimento que já está entranhado neste país -, envolve agora, inevitavelmente, o PM.

Brincar aos mundiais de futebol

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«Não nos iríamos meter numa aventura se não tivéssemos expectativas de vir a ganhar». As palavras são de Gilberto Madail, presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), no dia da apresentação da candidatura ibérica ao Mundial de 2018 ou 2022. Porto e Lisboa vão ser as cidades portuguesas anfitriãs, Braga e Faro estão ainda sujeitas a uma ponderação.

“Aventura”, não deslumbro palavra mais propícia para adjectivar a fantasiosa ponderação de aumentar os estádios do Algarve e de Braga. A ponderação de Madail não é solteira. O devaneio tem perna longa e já se alastrou às Câmaras de Faro e Coimbra que reclamam a passagem do mundial, também nestas cidades.

O alardeio é reincidente. Nem os miminhos de Joseph Blatter, presidente da FIFA, que elogia a forma como Portugal organizou o Euro 2004, fazem esquecer o investimento megalómano em estádios que hoje são tão ocos. Tudo em nome de um pavonear nacional. Madail diz que terá de se “ver se vale a pena” aumentar o estádio do Algarve de 29 mil pessoas para 42 mil. Proponho um exercício diferente ao presidente da FPF. Em vez de ver se vale a pena aumentar o estádio, sugeria que pensasse se valeu a pena construi-lo. O estádio passa maioria do seu tempo cheio, cheio de cadeiras vazias. É serventia do Sporting Clube Farense, da terceira divisão, e é pau para muitas obras como concertos e ralis. Mesmo assim, não chega para pôr cobro ao prejuízo diário de cinco mil euros.

A tolice é tipicamente portuguesa, levantar da mesa sem pagar a conta. As dívidas do Euro 2004 ainda não estão saldadas e já se ponderam contrair outras. É como comprar um carro novo sem pagar o velho.

Voto à prova de sondagem

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Sondagens. Para uns, motivo de vanglória durante as campanhas, para outros, o escudo perfeito depois de uma derrota eleitoral.

A primeira vaia foi de Paulo Portas que defendeu a proibição das sondagens em tempo de arruadas e comícios. Mais recentemente, na digestão dos resultados das autárquicas, o apupo foi de Pedro Santana Lopes ao afirmar que o centro de sondagens da Universidade Católica “no mínimo tem que fechar”.

A lamúria foi a mesma, mas os dois casos são demonstrativos da incógnita que é saber qual a influência de uma sondagem no eleitorado. Se nas legislativas as sondagens não sorriam para o CDS que acabou por ficar à frente do BE e da CDU, nas autárquicas, Santana Lopes perdeu a corrida à Câmara de Lisboa ficando, ainda assim, acima dos pontos percentuais previstos.

As sondagens hão-de ser sempre indigestas para uns e soprarão de feição para outros. Indubitavelmente os media estão ligados a isto. A forma como dão a conhecer as sondagens é tão ou mais importante do que uma previsão, tornando-se imperativa a leitura correcta das sondagens por parte do jornalista. Evitam-se assim os títulos de encher o olho que se esvaziam na diferença, por vezes mesquinha, entre partidos.

Do papel para o on-line

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É inquestionável que o jornalismo já não é feito apenas de papel. Chamam-lhe cyberjornalismo. Não borra as mãos, nem cheira a tinta.

Com a chegada da internet, as matérias que os jornais palpáveis nos davam eram depois mastigadas de forma mais superficial no on-line. É certo que isso ainda acontece, mas por força da queda dos leitores e consequente subtracção nas tiragens, os jornais estão a disparar para o cyberjornalismo acrescentando-lhe qualidade.

Não se limitando, cada vez mais, a repetir as notícias das edições impressas, o jornalismo on-line exige, de quem o faz, o domínio de propriedades especificas. Grandes jornais, como o «The New York Times», viram ganhas as suas apostas na Web e o número de leitores dos seus sites aumentou. Não hesitam em dar formações aos jornalistas da casa e a contratam outros com apetência para este tipo de jornalismo “novo”.

Aos poucos, a qualidade começa a sobressair numa rede global que está entregue a qualquer um. Sobrevêm, progressivamente, reportagens multimédia de boa estampa e textos ajustados a um leitor anfíbio que salta de janela em janela.

Para o leitor, este jornalismo custa zero, por isso, os media vão buscar o retorno do investimento na Net a publicidades dirigidas, pois, a um público mais novo e abrangente.

Ao jornalista de hoje não se pede apenas que escreva. Pede-se versatilidade, que se dote de toda uma panóplia de conhecimentos que lhe permitam dominar o audiovisual; que seja fotógrafo e operador de câmara. É tudo isto que este blogue pretende conjugar e praticar seguindo a actualidade bem como as regras regentes deste formato jornalístico tão próprio.